... é uma forma encontrada para compartilhar a visão que faço do mundo, das pessoas e das coisas a minha volta, e principalmente, da tentativa de se resgatar a energia vital que cada um tem dentro de si, a fim de que possamos construir a vida, com inspirações que mobilize em cada um a coragem de experimentar, de se motivar a viver com paixão e determinação os projetos de vida!

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Espaço Filosófico

"O vocábulo fundamental que corresponde à imaginação não é imagem, mas imaginário.

O valor de uma imagem mede-se pela extensão da sua auréola imaginária. Graças ao imaginário, a imaginação é essencialmente aberta, evasiva.

É ela, no psiquismo humano, a própria experiência da abertura, a própria experiência da novidade."


Gaston Bachelard



Espaço Filosófico

Para conhecer o mundo,

Não é necessário percorrê-lo.

Posso conhecer os segredos dele

Sem olhar pela janela do meu

quarto.

(...) Quem desperta em si

As forças criadoras da vida

Realiza a sua íntima essência

E nela permanece (...)


Lao-Tsé



sábado, 23 de janeiro de 2010

Espaço Filosófico...

Se alguém te fizer alguma pirraça hoje, como irá reagir?

Eu te digo: Voe mais alto!

Sabe o que mais?

Se alguém saiu por aí dizendo “inverdades” a seu respeito.

Voe mais alto!

Caso alguma pessoa tenha ousado “pisar” em você.

Nem ligue!

E até parece que estou brincando.

Mas na verdade, quero mostrar a você o quanto você pode ser superior a estas pequenas coisas que às vezes tendem tirar você do sério!

Quer ver como?

Acompanhe-me, então!

Logo após a 2ª Guerra Mundial, um jovem piloto inglês que experimentava o seu frágil avião monomotor numa arrojada aventura ao redor do mundo.

Pouco depois de levantar vôo de um dos pequenos e improvisados aeródromos da Índia, ouviu um estranho ruído que vinha de trás de seu assento.

Percebeu logo que havia um rato a bordo e que poderia, roendo a cobertura de lona, destruir o seu frágil avião.

O jovem aeronauta poderia voltar ao aeroporto para se livrar de seu incômodo do perigoso e inesperado passageiro.

Lembrou-se, contudo, de que os ratos não resistem a grandes alturas.

Pois então a voar cada vez mais alto, pouco a pouco, cessaram os ruídos que quase punham em perigo a sua viagem.

De hoje em diante, lembre-se dessa passagem importante!

Se te ameaçarem destruir por inveja, calúnia ou maledicência, VOE MAIS ALTO...!!!

Se o criticarem, VOE MAIS ALTO...!

Se fizerem injustiças a você, VOE MAIS ALTO...!

E...

Lembre-se sempre... Os "ratos" não resistem ás alturas.

Pense nisso...

Tenha um Bom Dia HOJE !

Voando Alto...


Sigmar Sabin

Professor e Aprendiz da vida



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Espaço Filosófico

Refletindo sobre a formação e o desenvolvimento do indivíduo:

Segundo Chiavenato (1999, p. 290), desenvolver pessoas não é apenas dar-lhes informação para que elas aprendam novos conhecimentos, habilidades e destrezas e se tornem mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, dar-lhes a formação básica para que elas aprendam novas atitudes, soluções, idéias, conceitos e que modifiquem seus hábitos e comportamentos e se tornem mais eficazes naquilo que fazem. Formar é muito mais do que simplesmente informar, pois representa um enriquecimento da personalidade humana.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Espaço Filosófico...



“Livro são sementes que o destino leva por caminhos
que o próprio autor desconhece.
Em terrenos férteis, elas germinam, gerando novos frutos.
São frutos que sofrerão transformações evolutivas conforme
o terreno, o clima e o cultivador.
Assim, cada fruto pode ser diferente do outro
e gerar sementes diferentes das originais.
Esta é a magia dos livros: cada leitor pode colher
o fruto do seu interesse.”

Içami Tiba


Parafraseio o autor e reflito:

Ao longo desta caminhada, algumas pessoas,
sejam amigos, parentes, colegas de trabalho,
outros autores, ou pura e simplesmente,
pessoas com quem fazemos
encontros ao longo da caminhada...
uns são estimuladores e
carregam com orgulho as sementes
que encontraram em cada obra...
outros, trocam idéias enriquecem as sementes,
deixam algumas e levam outras...
e outros ainda, se transformam
em verdadeiras sementeiras...

com o meu carinho de sempre,
Leilah, agosto/2009


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Espaço Filosófico...


COZINHA
por Rubem Alves

Qual é o lugar mais importante da sua casa?

Eu acho que essa é uma boa pergunta para início de uma sessão de psicanálise. Porque quando a gente revela qual é o lugar mais importante da casa, a gente revela também o lugar preferido da alma.

Nas Minas Gerais onde nasci o lugar mais importante era a cozinha. Não era o mais chique e nem o mais arrumado. Lugar chique e arrumado era a sala de visitas, com bibelôs, retratos ovais nas paredes, espelhos e tapetes no chão.

Na sala de visitas as crianças se comportavam bem, era só sorrisos e todos usavam máscaras. Na cozinha era diferente: a gente era a gente mesmo, fogo, fome e alegria.

"Seria tão bom, como já foi...", diz a Adélia. A alma mineira vive de saudade. Tenho saudade do que já foi as velhas cozinhas de Minas, com seus fogões de lenha, cascas de laranja secas, penduradas, para acender o fogo, bule de café sobre a chapa, lenha crepitando no fogo, o cheiro bom da fumaça, rostos vermelhos.

Minha alma tem saudades dessas cozinhas antigas...
Fogo de fogão de lenha é diferente de todos os demais fogos.
Veja o fogo de uma vela acesa sobre uma mesa.
É fogo fácil. Basta encostar um fósforo aceso no pavio da vela para que ela se acenda. Não é preciso nem arte nem ciência. Até uma criança sabe.
Só precisa um cuidado: deixar fechadas as janelas para que um vento súbito não apague a chama. O fogo do fogão é outra coisa.

Bachelard notou a diferença: "A vela queima só. Não precisa de auxílio.
A chama solitária tem uma personalidade onírica diferente da do fogo na lareira. O homem, diante de um fogo prolixo pode ajudar a lenha a queimar, coloca uma acha suplementar no tempo devido.
O homem que sabe se aquecer mantém uma atitude de Prometeu. Daí seu orgulho de atiçador perfeito..." Fogo de lareira é igual ao fogo do fogão de lenha. Antigamente não havia lareiras em nossas casas.

O que havia era o fogo do fogão de lenha que era, a um tempo, fogo de lareira e fogo de cozinhar.
As pessoas da cidade, que só conhecem a chama dos fogões a gás, ignoram a arte que está por detrás de um fogão de lenha aceso. Se os paus grossos, os paus finos e os gravetos não forem colocados de forma certa, o fogo não pega. Isso exige ciência.
E depois de aceso o fogo é preciso estar atento. É preciso colocar a acha suplementar, do tamanho certo, no lugar certo.

Quem acende o fogo do fogão de lenha tem de ser também um atiçador.
O fogão de lenha nos faz voltar "às residências de outrora, as residências abandonadas mas que são, em nossos devaneios, fielmente habitadas" (Bachelard).
Exupèry, no tempo em que os pilotos só podiam se orientar pelos fogos dos céus e os fogos da terra, conta de sua emoção solitária no céu escuro, ao vislumbrar, no meio da escuridão da terra, pequenas luzes: em algum lugar o fogo estava aceso e pessoas se aqueciam ao seu redor.
Já se disse que o homem surgiu quando a primeira canção foi cantada. Mas eu imagino que a primeira canção foi cantada ao redor do fogo, todos juntos se aquecendo do frio e se protegendo contra as feras.
Antes da canção, o fogo. Um fogo aceso é um sacramento de comunhão solitária. Solitária porque a chama que crepita no fogão desperta sonhos que são só nossos.

Mas os sonhos solitários se tornam comunhão quando se aquece e come.
Nas casas de Minas a cozinha ficava no fim da casa. Ficava no fim não por ser menos importante mas para ser protegida da presença de intrusos. Cozinha era intimidade. E também para ficar mais próxima do outro lugar de sonhos, a horta-jardim. Pois os jardins ficavam atrás. Lá estavam os manacás, o jasmim do imperador, as jabuticabeiras, laranjeiras e hortaliças.

Era fácil sair da cozinha para colher xuxús, quiabo, abobrinhas, salsa, cebolinha, tomatinhos vermelhos, hortelã e, nas noites frias, folhas de laranjeira para fazer chá.
Ah! Como a arquitetura seria diferente se os arquitetos conhecessem também os mistérios da alma!
Se Niemeyer tivesse feito terapia, Brasília seria outra. Brasília é arquitetura de arquitetos sem alma. Se eu fosse arquiteto minhas casas seriam planejadas em torno da cozinha. Das coisas boas que encontrei nos Estados Unidos nos tempos em que lá vivi estava o jeito de fazer as casas: a sala de estar, a sala de jantar, os livros, a escrivaninha, o aparelho de som, o jardim, todos integrados num enorme espaço integrado na cozinha.

Todos podiam participar do ritual de cozinhar, enquanto ouviam música e conversavam. O ato de cozinhar, assim, era parte da convivência de família e amigos, e não apenas o ato de comer.

Eu acho que nosso costume de fazer cozinhas isoladas do resto da casa é uma reminiscência dos tempos em que elas eram lugar de cozinheiras negras escravas, enquanto as sinhás e sinhazinhas se dedicavam, em lugares mais limpos, a atividades próprias de dondocas como o ponto de cruz, o frivolité, o crivo, a pintura e a música.

Se alguém me dissesse, arquiteto, que o seu desejo era uma cozinha funcional e prática, eu imediatamente compreenderia que nossos sonhos não combinavam, delicadamente me despediria e lhes passaria o cartão de visitas de um arquiteto sem memórias de cozinhas de Minas.

As cozinhas de fogão de lenha não resistiram ao fascínio do progresso. As donas de casa, em Minas, por medo de serem consideradas pobres, dotaram suas casas de modernas cozinhas funcionais, onde o limpíssimo e apagado fogão à gás tomou o lugar do velho fogão de lenha.

As cozinhas, agora, são extensões da sala de visitas. Mas isto é só para enganar. A alma delas continua a morar nas cozinhas velhas, agora transferidas para o quintal, onde a vida é como sempre foi. Lá é tão bom, porque é como já foi.

Eu gostaria de ser muitas coisas que não tive tempo e competência para ser. A vida é curta e as artes são muitas.
Gostaria de ser pianista, jardineiro, artista de ferro e vidro - talvez monge. E gostaria de ter sido um cozinheiro. Babette. Tita.

Meu pai adorava cozinhar. Eu me lembro dele preparando os peixes, cuidadosamente puxando a linha que percorre o corpo dos papa-terras, curimbas, para que não ficassem com gosto de terra. E me lembro do seu rosto iluminado ao trazer para a mesa o peixe assado no forno.

Faz tempo, num espaço meu, eu gostava de reunir casais amigos uma vez por mês para cozinhar. Não os convidava para jantar. Convidava para cozinhar. A festa começava cedo, lá pelas seis da tarde.

E todos se punham a trabalhar, descascando cebola, cortando tomates, preparando as carnes.
Dizia Guimarães Rosa: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." Comer é a chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o nosso maior prazer.
A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos, rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia.
Naqueles tempos o que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.

Sinto-me feliz cozinhando.
Não sou cozinheiro.
Preparo pratos simples.
Gosto de inventar.
O que mais gosto de fazer são as sopas.
Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro...
Você já ouviu falar em sopa de coentro?
É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado.
A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras.
Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)... (Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000.)


Fonte: site oficial do autor http://www.rubemalves.com.br/



domingo, 19 de agosto de 2007

Espaço Filosófico....



As Respostas de um Sábio


Tales de Mileto nasceu em Tebas no ano de 625 a.c. Morreu em Atenas, a 547 a.c., aos 78 anos
Foi um filósofo grego, fundador da escola Jónica, considerado como um dos sete sábios da Grécia .
Matemático, astrônomo, e grande pensador, Tales de Mileto percorreu o Egito, onde realizou estudos e entrou em contato com os mistérios da religião egípcia. É atribuída a ele a previsão de um eclipse do Sol, no ano de 585 a.C. Também realizou uma façanha incrível: seu talento matemático era tão incomum, que conseguiu estabelecer com precisão a altura das pirâmides apenas medindo-lhes a sua sombra. Além disso, ainda foi o primeiro a dar uma explicação lógica para as ocorrências dos eclipses.
“Se destacou principalmente por seus trabalhos em filosofia e matemática. Nesta última ciência, lhe atribuem as primeiras “demonstrações” de teoremas geométricos mediante o raciocínio lógico e, por isto, o consideram o Pai da Geometria”.
“Foi o primeiro a sustentar que a Lua brilhava por reflexo do Sol e ainda determinou o número exato de dias que contém um ano”.
“Para provar que o conhecimento que desenvolvera tinha utilidade prática direta, afirmou que num determinado ano a colheita de azeitonas seria excepcional. E arrendou a maioria das destilarias de azeite de Mileto. Ganhou um bom dinheiro com a operação, apenas para ter o prazer de fazer calar os que diziam ser a Filosofia uma inutilidade ou um capricho de ociosos”.
“Um sofista se aproximou de Tales de Mileto, e intentou confundi-lo com as perguntas mais difíceis. Porém, o sábio de Mileto esteve à altura da prova porque respondeu a todos as perguntas sem a menor vacilação e assim mesmo com a maior exatidão”
.

1 – Qual é a coisa mais antiga?
Deus, porque sempre tem existido.
2 – Qual é a coisa mais formosa?
O Universo, porque é obra de Deus
3 – Qual é a maior de todas as coisas?
O espaço, porque contém todo o Criador.
4 – Qual é a coisa mais constante?
A esperança, porque permanece no homem depois que haja perdido todo o mais.
5 – Qual é a melhor de todas as coisas?
A virtude, porque sem ela não existe nada de bom.
6 – Qual é a mais rápida de todas as coisas?
O PENSAMENTO, porque em menos de um minuto pode voar até o final do Universo.
7 – Qual é a mais forte de todas as coisas?
A NECESSIDADE, porque faz com que o homem enfrente todos os perigos da vida.
8 – Qual é a mais fácil de todas as coisas?
Dar conselhos.

“Porém, quando chegou à nona pergunta, nosso Sábio disse um paradoxo. Deu uma resposta que, estou seguro, não foi jamais entendida pelo mundano interlocutor, e que, para a maioria das pessoas terá um sentido superficial”.
A pergunta foi esta:

9 – Qual é a mais difícil de todas as coisas?
E o Sábio de Mileto replicou:
Conhecer a si mesmo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Espaço Filosófico...


"O trabalho nos poupa de três males: tédio, vício e necessidade."
Voltaire


Voltaire
François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire,
foi um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês.
Introduziu várias reformas na França, como a liberdade de imprensa, um sistema imparcial de justiça criminal, tolerância religiosa, tributação proporcional e redução dos previlégios da nobreza e do clero.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Espaço Filosófico...


Para Refletir....

“Os grandes navegadores devem sua reputação
aos temporais e às tempestades”.

Epicuro

domingo, 10 de junho de 2007

Espaço Filosófico....



O filósofo do amor

por Marcelo Gleiser


Como o grego Empédocles via a força que torna a matéria coesa?
Como em dois dias estaremos celebrando o dia dos namorados (ou vocês estarão, pois aqui nos EUA a data é comemorada em 24 de fevereiro), achei oportuno refletir um pouco sobre como o amor está entrelaçado com as raízes da física.

Nada parece mais absurdo, não é? Amor e física juntos.

Mas um dos grandes filósofos da Antiguidade, o grego Empédocles, pensava assim.

Estamos falando de um passado remoto, em torno de 450 a.C., quando a física, ou mesmo o conceito de ciência como ela é entendida hoje, não existia.

Tudo havia começado 150 anos antes, quando Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo grego, fez a pergunta que inaugurou a tradição intelectual que iria gerar, 2.000 anos mais tarde, o pensamento científico moderno: "De que tudo é feito? Qual é a composição material das coisas?" Tales e seus discípulos da chamada escola milesiana (mais um grupo de filósofos do que uma escola filosófica propriamente dita) deram respostas que demonstravam sua crença de que a n atureza é uma entidade viva, dinâmica, sempre em transformação.

Tales afirmou que tudo é água, enquanto Anaxímenes disse que tudo é ar.

Outro dos milesianos, o enigmático Heráclito, favorecia o fogo, devido à sua capacidade de transformar a matéria. Cada um tinha a sua resposta para a essência material do cosmo.

A coisa complicou quando Parmênides, o fundador de outra linha filosófica muito influente, dizia o oposto: se você quer entender a essência das coisas, não olhe para o que muda, mas para o que é imutável, eterno. Segundo ele, o que muda pode nos enganar.

E agora? A essência da realidade é transformação ou o que é imutável?

É aqui que entra Empédocles. Seu objetivo era tentar resolver esse aparente impasse filosófico entre o que chamamos de filosofia do ser e do devir.

Empédocles sugeriu - e parece que foi o primeiro a dizer isso- que a matéria tem quatro "raízes" (a palavra "elementos" surgiu mais tarde, mas vamos usá-la daqui por diante): terra, água, ar e fogo, portanto juntando três dos elementos sugeridos individualmente pelos milesianos.

Ele postulou que esses quatro elementos são irredutíveis ou "fundamentais", ou seja, que eles não são compostos por outros elementos. Eles seriam a essência da matéria, eterna e imutável. Para conciliar as duas linhas de pensamento, Empédocles sugeriu que os quatro elementos poderiam se combinar ou separar-se de acordo com a ação de duas tendências: o amor, que une, e a discórdia, que separa.

Com isso, foi o primeiro a sugerir uma interação entre formas de matéria que pode ser tanto atrativa quanto repulsiva. Através da ação dessas duas interações, os quatro elementos criam as transformações que produzem o caráter dinâmico da natureza, ora criando formas e padrões simples ou complexos por meio do amor, ora destruindo-os por meio da discórdia.

Não é nada surpreendente que Empédocles tenha usado o amor para representar a união da matéria. Afinal, é o que vemos acontecer à nossa volta e nas nossas vidas.

O que é surpreendente é que tenhamos esquecido essa construção poética da realidade, quando nos referimos apenas a forças de atração e de repulsão entre as partículas de matéria. Mesmo que não possa ser chamado de ciência, o pensamento de Empédocles capturou a essência do que anima a natureza: a atração e a repulsão da matéria, desde suas formas mais simples e primitivas até as mais complexas, dos elétrons aos homens.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo"


Fonte: Jornal "Folha de São Paulo de 10 de junho de 2007"

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Reflexões...



Máximas de Madre Teresa - parte I

"Acredito que o mundo hoje está de ponta cabeça e sofre muito porque existe tão pouco amor no lar e na vida familiar. Não temos tempo para nossas crianças, não temos tempo para darmos uns aos outros, não temos tempo para apreciarmos uns aos outros".

"O amor começa em casa; o amor habita nos lares e é por isso que existe tanto sofrimento e tanta infelicidade no mundo... Todos, hoje em dia, parecem estar com tanta pressa, ansiosos por grandes desenvolvimentos e grandes riquezas e assim por diante, de modo que as crianças não têm tempo para os pais. Os pais têm pouco tempo para darem uns aos outros, e no próprio lar começa a destruição da paz do mundo".

“Eu vejo Deus em cada ser humano. Quando limpo as feridas do leproso, sinto que estou cuidando do próprio Senhor. Não é uma experiência maravilhosa?" - 1974 Entrevista.

“Quando vejo o disperdício, sinto raiva dentro de mim. Eu não aprovo eu mesma sentir raiva. Mas é algo que não se pode evitar de se sentir após vermos a Ethiopia." - Washington 1984.

“A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado”.


Imagem:www.franciscodeassis.no.sapo.pt

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Espaço Filosófico



OS CAMINHOS FILOSÓFICOS DO AMOR

Por Leandro Castro Oltramari - Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).

Estudos e Pesquisas em Psicologia
ISSN 1808-4281 versão on-line

O livro: "CAMINHOS Filosóficos do Amor" - escrito pela professora Maria de Lourdes Borges, que é docente do curso de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, se coloca num grande desafio, qual seja discutir um dos fenômenos mais difíceis de definição de que temos notícia: o amor. Em nossos dias, talvez nunca se tenha indagado tanto sobre para onde estão caminhando as relações amorosas. É bem verdade que talvez ninguém saiba muito bem se estas relações vão a algum lugar, mas, nos últimos tempos, têm proliferado inquietações como estas, as quais têm resultado em manuais de sobrevivência para os relacionamentos afetivos, como namoros, casamentos, ou seja, relacionamentos a dois.

Maria de Lourdes Borges é bastante audaz quando discute sobre o amor, pois sua perspectiva não parte de uma psicologia de “estantes de auto-ajuda”, mas sim de uma discussão filosófica sobre o assunto. Ela inicia fazendo uma abordagem sobre a clássica obra de Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther, que, segundo afirma, foi a causadora de inúmeros suicídios no século XVIII. O livro trata da dor de um amor não correspondido, assunto que talvez dificilmente alguém não saiba o que seja. Talvez por isso a referida obra tenha tido tanto sucesso em sua época.

A autora faz inquietantes colocações sobre o porquê da necessidade de fazer uma discussão para explicar racionalmente aquilo que se sente tão intensamente quanto o amor. Ela irá explicar os três tipos de amor, tendo como ponto de partida os gregos: Eros, philia e caritas. O amor Eros é, com certeza, o mais conhecido e o de maior sucesso, tanto na literatura quanto nas populares novelas. Este amor é originado, segundo aponta, de Platão e lembra o amor romântico. O amor Eros é aquele ligado à falta, ou seja, ao sofrimento. Neste ponto, vale ressaltar a obra de Denis de Rougement (2003), intitulada História do amor no Ocidente, que trata de forma muito interessante sobre a constituição do amor no mundo ocidental.

Borges fala, ainda, sobre o outro amor, chamado de philia, que está próximo àquele definido por Aristóteles e é percebido como o que tem um desejo de partilhar a companhia do outro, principalmente se for através da virtude. É querer o bem do outro. Algo que nos parece difícil nos dias atuais. Este modelo de amor pode dizer, seria um modelo spinoziano, segundo Borges. No amor, para Spinoza, não existe falta nem necessidade de um outro ser amado e de se unir a ele. O amor está atrelado à alegria da existência do outro, mesmo que a ele não se esteja unido. Ou seja, um amor quase altruísta. A pessoa é feliz porque o amado existe. Por último, ela cita o amor ágape ou caritas. Este está mais próximo da philia. É um amor que está atrelado ao bem do outro, muito próximo do humanismo cristão.

A partir de então, a autora faz uma análise sobre como os filósofos analisarão o amor a partir de sua fórmula mais conhecida, e mais contundente, o amor/Eros. Ela começa citando a obra O Banquete, de Platão, que é um elogio ao amor, principalmente ao amor que se estrutura sobre a virtude. Os filósofos, n’O Banquete, dizem que nada pode ser censurado se for para elevar a virtude do amor, mesmo se depender da humilhação. Borges exemplifica, de forma brilhante, através de uma fala de Sócrates, as origens mitológicas do amor. Segundo Sócrates, o amor é filho de Pênia, a pobreza, e Poros, o esperto. Pênia, deitando-se ao lado de Poros, que estava embriagado em um jardim, concebe o filho Eros, que possui características dos pais. Portanto, o amor é, por um lado, “pobre, rude e sujo como sua mãe, vivendo a mendigar de porta em porta”; por outro, é “astuto e trama estratagemas e maquinações”. Assim, a “essência do amor é fazer a ponte entre o humano e o divino” (p.15). Ainda assim, a autora afirma que o amor “é a busca pela sua metade perdida, busca que evidencia a carência constitutiva de sua pobreza intrínseca” (p. 15).

Vale a pena lembrar, como já relatado anteriormente, o exemplo do livro de Rougement. Para este autor, o romance que melhor ilustra o sentimento amoroso descrito acima é a obra de Tristão e Isolda. Neste romance, citado por Borges, o amor é uma doença da alma, doença que os doentes decidem contrair. Existe a caracterização de que o amor é algo ao qual a pessoa está condenada, pois nele Isolda fornece a Tristão uma poção mágica. Ele, desta forma, apaixona-se perdidamente e ambos não podem ficar sequer longe um do outro, sobre pena de morrerem de amor. O desfecho da obra garantiu o seu sucesso, ao melhor estilo consagrado posteriormente por Shakespeare: os dois amantes morrem ao final.

A obra Tristão e Isolda acabou se tornando um marco dentro da história romântica universal e, pelo que se percebe, como assinala Borges, o amor Eros, tão difundido pela literatura universal, tem ainda hoje feito suas vítimas - todos aqueles que sofrem por amor. Segundo declara, o amor romântico é aquele no qual nunca haverá a correspondência, portanto o sofrimento é algo intrínseco a ele. Porém, Borges não se priva também de levantar outras hipóteses sobre o amor, hipóteses estas que vão além das especulações metafísicas. Ela discute sobre a duração do amor, a partir da Fisiologia, pois os estudos contemporâneos revelam que o êxtase amoroso dura cerca de 18 meses a 3 anos, em decorrência de uma substância chamada “feniletilamina”, que seria ligada ao sentimento de estar gostando de alguém. É interessante que três anos é o prazo de validade da poção que Isolda dá a Tristão. Pois, então, seria uma infeliz coincidência?

A autora traz passagens interessantes que, para os “não-experts” em Filosofia, causarão surpresas. Primeiro, a preocupação de determinados autores com a temática e, segundo, as reflexões feitas por estes autores. Ela afirma, por exemplo, que, para Hegel, as pessoas não desejam o outro, mas sim “o desejo do outro” (p.18). Posteriormente, irá comentar a posição dos estóicos sobre o amor. Estes se assombravam com o amor, pois procuravam a virtude, a qual estava na “tranqüilidade da alma”. Para os estóicos, o sofrimento e o prazer no amor são faces da mesma moeda. Nada bom para quem procurava a virtude e a calma para filosofar. Mais adiante, Borges cita Descartes e suas “paixões da alma”, que seriam a oportunidade para que as duas substâncias que compõem o ser humano - a res cogitans e a res extensa – pudessem se unir. A autora lembra que Descartes parte de uma teoria do século XVII, a qual explica que a interação da alma e do corpo se fazia “através de fluidos chamados espíritos animais” (p.28). Por isso, para ele, não é possível ter controle sobre as paixões.

Borges vai ainda passando por outros autores, como Kant, que defende o amor/caritas e faz uma crítica ao amor/Eros. Para isso, ele faz uma distinção entre o amor-afeto e o amor-paixão, valorizando mais o primeiro do que o segundo. Para Kant, o amor apenas é possível porque existe uma desigualdade entre aqueles que amam.
Depois de discutir os preceitos filosóficos, a autora ainda tem tempo de lembrar os aspectos cognitivos e fisiológicos do amor, fazendo assim um rápido levantamento sobre a relação existente entre as emoções e as mudanças comportamentais, quando então ela define como alguns autores entendem a relação entre mudanças corporais e paixões. Ela faz referência a teorias que têm, de certa forma, citado este tipo de relação: dentre elas, está a “teoria dos sentimentos” e a “teoria da atitude proposicional”.

A teoria dos sentimentos “diria que emoções são experiências introspectivas, caracterizadas pela qualidade e intensidade” (p.42). Já a teoria da atitude proposicional, de Solomon, defende que as emoções são juízos de valores não verbais. Esta teoria indica que sentimos emoções como o prazer por coisas de que gostamos e que apreciamos, assim como sentimos raiva ou ódio por coisas que sentimos como sendo más. Em uma perspectiva evolucionista, as explicações sobre as emoções revelam que elas aparecem de forma súbita, sem que se consiga controlá-las. Isto porque, nesta visão, os impulsos de emoções são necessários para a resolução rápida de decisões, como, por exemplo, fugir de uma situação adversa.

Ao final da obra, a autora faz uma brilhante colocação para todos aqueles que algum dia já sofreram, sofrem ou sofrerão do que chamamos amor. No apêndice, apresenta uma seleção de textos, como “Tristão e Isolda”, “As paixões da alma”, de Descartes, “Antropologia do ponto de vista pragmático”, de Kant, “Fenomenologia do espírito”, de Hegel, “Strong Felings”, de Jon Elster.

Após ler o livro, poder-se-ia ter quase a sensação da leitura de mais um destes manuais best sellers de auto-ajuda com tom filosófico, tão comum nesta modernidade tardia. Mas não é isto que o leitor sente. A sensação é que a pergunta continua sem ser respondida. Por que se ama e por que o amor nos alegra ou nos torna infelizes? Bom, talvez esta seja uma resposta que apenas os amantes tenham para nos dar, mas, com certeza, essa obra fornece bons caminhos para pensar sobre o assunto.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ROUGEMENT, Denis de. História do amor no Ocidente. 2 ed. São Paulo: Ediouro, 2003.

BORGES, M. L. Amor. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

© 2007 Universidade do Estado do Rio de Janeiro


Dica de Filme: "Tristão e Isolda"
Fonte:http://scielo.bvs-psi.org.br/
Imagem: www.cine7.com.br/